E-book Premium · Edição 2026

Reforma Tributária:
Guia Rápido do Simples Nacional Híbrido

Um material visual, direto e fundamentado sobre CBS, IBS, IS e o novo Simples Híbrido — com base na LC 214/2025 e no Decreto nº 12.955/2026.

Patrick Dahlskjaer
Por
Patrick Dahlskjaer
@contabilizandoideiass
Ideias Fiscais · 2026

Reforma
Tributária

Guia visual do Simples Nacional Híbrido

Logomarca do Simples Nacional
Patrick Dahlskjaer
Autor
Patrick Dahlskjaer
@contabilizandoideiass
Capítulo 01

O que muda com a Reforma Tributária

A Emenda Constitucional 132/2023 e a LC 214/2025 substituem cinco tributos sobre consumo por três — CBS, IBS e IS — com base ampla, crédito financeiro e cobrança no destino.

Simplificação

PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS são substituídos por CBS + IBS (IVA dual) e IS (seletivo).

Não-cumulatividade plena

Crédito financeiro amplo: praticamente todo tributo pago em etapas anteriores gera crédito.

Cobrança no destino

O tributo passa a ficar onde o bem/serviço é consumido — muda a lógica de guerra fiscal.

Capítulo 02

Os três novos tributos, em uma olhada

CBS + IBS formam o IVA dual brasileiro. O IS é regulatório, não arrecadatório.

Federal
CBS
Contribuição sobre Bens e Serviços

Substitui PIS e COFINS. Base ampla, crédito financeiro e alíquota uniforme (com regimes específicos previstos em lei).

Estadual + Municipal
IBS
Imposto sobre Bens e Serviços

Substitui ICMS e ISS. Compartilhado entre estados e municípios, gerido por Comitê Gestor.

Seletivo
IS
Imposto Seletivo

Substitui parte do IPI. Incide sobre bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

Antes da Reforma
PISCOFINSIPIICMSISS

5 tributos sobre consumo, cumulativos, com regras federais, estaduais e municipais.

Depois da Reforma
CBSIBSIS

IVA dual (CBS + IBS) e um seletivo regulatório (IS), com não-cumulatividade plena.

Capítulo 03

O novo Simples Nacional Híbrido

A LC 214/2025 permite que a empresa do Simples continue pagando os tributos federais no DAS, mas destaque CBS e IBS por fora, gerando crédito para o cliente.

Modelo Convencional

Tudo pelo DAS

A empresa recolhe todos os tributos dentro do Simples. O cliente não se aproveita de crédito de CBS/IBS.

  • Menor complexidade operacional
  • Cliente PJ perde crédito
Modelo Híbrido

DAS + CBS/IBS por fora

A empresa mantém o DAS reduzido e destaca CBS/IBS na nota fiscal. O cliente PJ recupera o crédito integral.

  • Competitividade em B2B
  • Mantém benefícios do Simples nos demais tributos
Capítulo 04

Cronograma da transição — 2026 a 2033

A transição é gradual. Enquanto CBS entra cheio em 2027, o IBS cresce em ritmo progressivo até substituir integralmente ICMS e ISS.

Alíquotas ilustrativas de referência conforme LC 214/2025 e regulamentações posteriores. Percentuais finais dependem da definição da alíquota de referência.

Capítulo 05

Quando o Híbrido compensa (e quando não)

Nem toda empresa do Simples se beneficia do modelo híbrido. Depende do perfil de cliente, margem e cadeia de créditos.

Faz sentido migrar

  • Cliente predominantemente PJ com direito a crédito
  • Setor industrial ou de insumos para outras empresas
  • Margens que suportam pequena elevação de complexidade
  • Concorrência fortemente sensível a preço líquido de tributos

Melhor manter convencional

  • Venda majoritária ao consumidor final (B2C)
  • Serviços com poucos insumos e alta mão de obra
  • Empresas próximas do teto do Simples
  • Sem estrutura para apuração adicional de CBS/IBS
Capítulo 06

Exemplo prático comparado

Indústria de embalagens fictícia, faturamento R$ 3,6 mi/ano, margem 22%, clientes 90% PJ.

Simples Convencional
15.4%
Carga efetiva
Simples Híbrido
11.8%
Carga efetiva
Lucro Presumido
16.9%
Carga efetiva
Lucro Real
19.2%
Carga efetiva

Cenário ilustrativo. O resultado real depende de anexo, fator R, créditos disponíveis e perfil de cliente. Simule o seu caso.

Capítulo 07

Créditos, débitos e não-cumulatividade

A grande virada da Reforma é permitir crédito amplo — o tributo deixa de acumular ao longo da cadeia.

Crédito financeiro amplo

Praticamente tudo que a empresa paga com CBS/IBS gera crédito, inclusive bens de uso e consumo.

Débito por operação

O tributo é destacado na nota. Fim do 'imposto por dentro' e da cumulatividade.

Neutralidade

O tributo passa a onerar apenas o valor adicionado — sem distorcer preços intermediários.

Capítulo 08

Impacto por atividade econômica

A Reforma não trata todos os setores da mesma forma. Aqui está um mapa rápido.

AtividadeTendênciaObservação
Indústria
PositivoCadeia longa com muitos créditos recuperáveis.
Comércio B2B
PositivoCliente PJ valoriza destaque de CBS/IBS.
Comércio B2C
Neutro / NegativoConsumidor final não aproveita crédito.
Serviços B2B
Positivo (avaliar)Depende de fator R e insumos.
Serviços B2C
AtençãoAumento potencial da carga sobre serviços.
Capítulo 09

Checklist do contador

Marque os itens abaixo à medida que sua carteira for adaptada. Uma lista simples que evita 90% dos erros de transição.

Capítulo 10

Riscos, dúvidas e boas práticas

As perguntas que mais aparecem nos plantões tributários com contadores.

Não. 2026 é ano de teste com alíquota simbólica. A decisão estratégica pode ser tomada com base nos resultados desse período.

Não. A empresa mantém o DAS com a parcela dos tributos federais reduzida, e apenas destaca CBS/IBS por fora.

Não diretamente. O híbrido é vantajoso quando o cliente é PJ com direito a crédito. Para B2C, avalie caso a caso.

As regras de opção e retorno são definidas pelo Comitê Gestor e pela RFB. Recomenda-se planejamento anual.

Ele projeta a carga efetiva nos 4 regimes (Simples Convencional, Híbrido, Presumido e Real) já considerando LC 214/2025 e Decreto 12.955/2026.

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— Patrick Dahlskjaer