Reforma Tributária:
Guia Rápido do Simples Nacional Híbrido
Um material visual, direto e fundamentado sobre CBS, IBS, IS e o novo Simples Híbrido — com base na LC 214/2025 e no Decreto nº 12.955/2026.
Reforma
Tributária
Guia visual do Simples Nacional Híbrido

Um mapa claro do que você vai aprender
11 capítulos objetivos, com fundamentação legal e chamadas para simulação prática ao final de cada bloco.
O que muda com a Reforma Tributária
A Emenda Constitucional 132/2023 e a LC 214/2025 substituem cinco tributos sobre consumo por três — CBS, IBS e IS — com base ampla, crédito financeiro e cobrança no destino.
Simplificação
PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS são substituídos por CBS + IBS (IVA dual) e IS (seletivo).
Não-cumulatividade plena
Crédito financeiro amplo: praticamente todo tributo pago em etapas anteriores gera crédito.
Cobrança no destino
O tributo passa a ficar onde o bem/serviço é consumido — muda a lógica de guerra fiscal.
Os três novos tributos, em uma olhada
CBS + IBS formam o IVA dual brasileiro. O IS é regulatório, não arrecadatório.
Substitui PIS e COFINS. Base ampla, crédito financeiro e alíquota uniforme (com regimes específicos previstos em lei).
Substitui ICMS e ISS. Compartilhado entre estados e municípios, gerido por Comitê Gestor.
Substitui parte do IPI. Incide sobre bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
5 tributos sobre consumo, cumulativos, com regras federais, estaduais e municipais.
IVA dual (CBS + IBS) e um seletivo regulatório (IS), com não-cumulatividade plena.
O novo Simples Nacional Híbrido
A LC 214/2025 permite que a empresa do Simples continue pagando os tributos federais no DAS, mas destaque CBS e IBS por fora, gerando crédito para o cliente.
Tudo pelo DAS
A empresa recolhe todos os tributos dentro do Simples. O cliente não se aproveita de crédito de CBS/IBS.
- Menor complexidade operacional
- Cliente PJ perde crédito
DAS + CBS/IBS por fora
A empresa mantém o DAS reduzido e destaca CBS/IBS na nota fiscal. O cliente PJ recupera o crédito integral.
- Competitividade em B2B
- Mantém benefícios do Simples nos demais tributos
Cronograma da transição — 2026 a 2033
A transição é gradual. Enquanto CBS entra cheio em 2027, o IBS cresce em ritmo progressivo até substituir integralmente ICMS e ISS.
Alíquotas ilustrativas de referência conforme LC 214/2025 e regulamentações posteriores. Percentuais finais dependem da definição da alíquota de referência.
Quando o Híbrido compensa (e quando não)
Nem toda empresa do Simples se beneficia do modelo híbrido. Depende do perfil de cliente, margem e cadeia de créditos.
Faz sentido migrar
- Cliente predominantemente PJ com direito a crédito
- Setor industrial ou de insumos para outras empresas
- Margens que suportam pequena elevação de complexidade
- Concorrência fortemente sensível a preço líquido de tributos
Melhor manter convencional
- Venda majoritária ao consumidor final (B2C)
- Serviços com poucos insumos e alta mão de obra
- Empresas próximas do teto do Simples
- Sem estrutura para apuração adicional de CBS/IBS
Exemplo prático comparado
Indústria de embalagens fictícia, faturamento R$ 3,6 mi/ano, margem 22%, clientes 90% PJ.
Cenário ilustrativo. O resultado real depende de anexo, fator R, créditos disponíveis e perfil de cliente. Simule o seu caso.
Créditos, débitos e não-cumulatividade
A grande virada da Reforma é permitir crédito amplo — o tributo deixa de acumular ao longo da cadeia.
Crédito financeiro amplo
Praticamente tudo que a empresa paga com CBS/IBS gera crédito, inclusive bens de uso e consumo.
Débito por operação
O tributo é destacado na nota. Fim do 'imposto por dentro' e da cumulatividade.
Neutralidade
O tributo passa a onerar apenas o valor adicionado — sem distorcer preços intermediários.
Impacto por atividade econômica
A Reforma não trata todos os setores da mesma forma. Aqui está um mapa rápido.
| Atividade | Tendência | Observação |
|---|---|---|
Indústria | Positivo | Cadeia longa com muitos créditos recuperáveis. |
Comércio B2B | Positivo | Cliente PJ valoriza destaque de CBS/IBS. |
Comércio B2C | Neutro / Negativo | Consumidor final não aproveita crédito. |
Serviços B2B | Positivo (avaliar) | Depende de fator R e insumos. |
Serviços B2C | Atenção | Aumento potencial da carga sobre serviços. |
Checklist do contador
Marque os itens abaixo à medida que sua carteira for adaptada. Uma lista simples que evita 90% dos erros de transição.
Riscos, dúvidas e boas práticas
As perguntas que mais aparecem nos plantões tributários com contadores.
Não. 2026 é ano de teste com alíquota simbólica. A decisão estratégica pode ser tomada com base nos resultados desse período.
Não. A empresa mantém o DAS com a parcela dos tributos federais reduzida, e apenas destaca CBS/IBS por fora.
Não diretamente. O híbrido é vantajoso quando o cliente é PJ com direito a crédito. Para B2C, avalie caso a caso.
As regras de opção e retorno são definidas pelo Comitê Gestor e pela RFB. Recomenda-se planejamento anual.
Ele projeta a carga efetiva nos 4 regimes (Simples Convencional, Híbrido, Presumido e Real) já considerando LC 214/2025 e Decreto 12.955/2026.
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— Patrick Dahlskjaer