CBS/IBS· 10 min de leitura· Janeiro de 2027

Cronograma da transição CBS/IBS 2026-2033: o que fazer em cada ano

Timeline completa da implementação da CBS e IBS, com checklist de ações que o escritório contábil precisa colocar em prática a cada fase.

A Reforma Tributária não acontece em um dia. Ela é um cronograma de oito anos em que dois tributos novos (CBS e IBS) nascem enquanto cinco antigos (PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS) morrem em ritmos diferentes. Quem entende a sequência consegue planejar; quem só reage vira refém do calendário.

2026 — o ano de teste

Ano de alíquotas simbólicas. A CBS e o IBS aparecem no documento fiscal em percentual reduzido, com compensação contra os tributos existentes. O objetivo não é arrecadar: é forçar a adaptação dos sistemas e dos leiautes fiscais.

2027 — CBS em regime pleno

É o ano da virada federal. PIS e COFINS são extintos e a CBS entra com alíquota cheia. O IPI é praticamente zerado, com exceção dos produtos da Zona Franca. Aqui começam os efeitos reais de caixa.

Atenção ao Split Payment

A partir da entrada em regime pleno, parte da liquidação financeira passa a separar o tributo no momento do pagamento. Isso muda o capital de giro — o valor do tributo deixa de circular no caixa da empresa.

2029 a 2032 — a rampa do IBS

O IBS sobe em degraus enquanto ICMS e ISS descem na mesma proporção. É o período mais delicado, porque conviverão dois sistemas simultâneos: o antigo, estadual e municipal, e o novo, com destino no consumo.

AnoIBSICMS/ISS
202910%90%
203020%80%
203130%70%
203240%60%
2033100%extintos

2033 — o novo sistema

ICMS e ISS deixam de existir. Restam CBS (federal) e IBS (estadual e municipal, com gestão compartilhada), além do Imposto Seletivo sobre bens prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. A partir daqui a discussão deixa de ser de transição e passa a ser de eficiência: crédito, cadeia e preço.

Checklist do escritório contábil

  1. 1Segmentar a carteira: quem é Simples, quem é Presumido, quem é Real, e quem está no limite de mudar.
  2. 2Rodar simulação comparativa por cliente antes de cada virada de ano.
  3. 3Documentar a recomendação com fundamento legal — a decisão de regime é ato de assessoria e precisa de rastro.
  4. 4Criar rotina trimestral de revisão de crédito, principalmente energia, frete, aluguel PJ e serviços tomados.
  5. 5Comunicar o cliente com antecedência: a mudança de caixa assusta mais do que a mudança de carga.

Conclusão

A transição premia quem antecipa. Cada ano do cronograma tem uma decisão associada, e a maioria dessas decisões é irreversível dentro do exercício. Ter a simulação pronta antes da virada é a diferença entre orientar o cliente e apenas informá-lo do que já aconteceu.

Perguntas frequentes

Quando a CBS passa a valer integralmente?

Em 2027, com a extinção de PIS e COFINS e a redução do IPI a zero para a maior parte dos produtos.

Quando ICMS e ISS deixam de existir?

Em 2033, ao final da rampa de transição iniciada em 2029.

O Simples Nacional acaba com a reforma?

Não. O Simples permanece, com a possibilidade de recolher CBS e IBS fora do DAS pelo regime regular.

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